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Como Pagar INSS Autônomo: Guia Completo com Valores de 2026

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Quem trabalha por conta própria no Brasil não tem o desconto automático do INSS no contracheque, mas precisa contribuir para garantir aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e outros benefícios. Este guia mostra exatamente como pagar o INSS como autônomo ou MEI em 2026, com valores, códigos e passo a passo.

Quem precisa pagar o INSS como autônomo?

Todo trabalhador que exerce atividade remunerada por conta própria é obrigado a contribuir para o INSS. A legislação brasileira classifica esses profissionais em categorias diferentes, e cada uma tem sua forma de pagamento:

  • Contribuinte individual: profissionais liberais (advogados, médicos, dentistas, designers, programadores), prestadores de serviço, comerciantes sem CNPJ e qualquer pessoa que trabalha por conta própria sem vínculo empregatício. Paga via GPS (Guia da Previdência Social).
  • MEI (Microempreendedor Individual): quem fatura até R$ 81.000/ano e tem CNPJ como MEI. Paga via DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), com valor fixo mensal.
  • Contribuinte facultativo: quem não tem renda própria (estudantes, donas de casa, desempregados) mas quer contribuir voluntariamente. Paga via GPS, como o contribuinte individual.

A diferença fundamental: o contribuinte individual e o MEI são obrigados a contribuir enquanto exercem atividade remunerada. O facultativo contribui por escolha.

Importante: Se você presta serviço para pessoa jurídica (empresa), a empresa é obrigada a reter 11% do valor pago e recolher ao INSS por você. Nesse caso, você não precisa pagar separadamente sobre essa renda. A obrigação de pagar GPS vale quando você presta serviço para pessoas físicas ou quando sua renda vem de atividade própria.

Quanto custa contribuir para o INSS em 2026?

O valor da contribuição depende do plano escolhido e da sua categoria. O salário mínimo em 2026 é de R$ 1.621,00. Veja as opções:

Para contribuinte individual e facultativo

PlanoAlíquotaBase de cálculoValor mensalDireitos
Simplificado11%Salário mínimoR$ 178,31Aposentadoria por idade (1 salário mínimo), auxílio-doença, salário-maternidade
Completo20%Salário mínimoR$ 324,20Todos os benefícios, aposentadoria por tempo de contribuição, valor acima do mínimo
Completo20%Até o teto (R$ 8.157,41)Até R$ 1.631,48Todos os benefícios, aposentadoria com valor proporcional à contribuição
Baixa renda*5%Salário mínimoR$ 81,05Aposentadoria por idade (1 salário mínimo), auxílio-doença

*Plano de 5% disponível apenas para segurado facultativo de baixa renda (inscrito no CadÚnico) e MEI.

Para MEI

AtividadeINSS (5%)ICMSISSTotal DAS
Comércio e indústriaR$ 81,05R$ 1,00-R$ 82,05
ServiçosR$ 81,05-R$ 5,00R$ 86,05
Comércio e serviçosR$ 81,05R$ 1,00R$ 5,00R$ 87,05
Atenção: O plano simplificado (11%) e o plano MEI (5%) não dão direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Se você quer se aposentar antes da idade mínima ou receber mais que 1 salário mínimo, precisa contribuir com 20% (plano completo). Entenda as regras em nosso guia sobre aposentadoria pelo INSS.

Como pagar o INSS pelo MEI (DAS)

Se você é MEI, o pagamento do INSS é feito junto com os impostos municipais/estaduais em uma única guia chamada DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). O processo é simples:

Passo a passo para gerar o DAS

  1. Acesse o PGMEI em pgmei.receita.fazenda.gov.br
  2. Informe seu CNPJ de MEI
  3. Clique em "Emitir Guia de Pagamento (DAS)"
  4. Selecione o mês de referência (ou "todos" para gerar o ano inteiro)
  5. Escolha a forma: boleto bancário, PIX ou débito automático
  6. Pague até o dia 20 de cada mês

Alternativas para emitir o DAS:

  • App MEI (disponível para Android e iOS), gere e pague direto pelo celular
  • Débito automático: cadastre no PGMEI para nunca esquecer
  • PIX: escaneie o QR Code gerado no boleto DAS

Se você é MEI e quer entender todas as suas obrigações fiscais além do INSS, leia nosso guia completo sobre finanças para autônomos e MEI.

Como pagar o INSS como contribuinte individual (GPS)

Quem é autônomo sem ser MEI paga o INSS por meio da GPS (Guia da Previdência Social). É o antigo "carnê do INSS", hoje gerado pela internet.

Códigos de pagamento GPS

Você precisa usar o código correto ao gerar a GPS. Os principais são:

CódigoQuem usaAlíquota
1007Contribuinte individual, plano completo (20%)20%
1163Contribuinte individual, plano simplificado (11%)11%
1406Facultativo, plano completo (20%)20%
1473Facultativo, plano simplificado (11%)11%
1910MEI, complementação (15% adicional)15%

Passo a passo para gerar a GPS online

  1. Acesse o site da Receita Federal: sal.receita.fazenda.gov.br
  2. Clique em "SAL - Sistema de Acréscimos Legais"
  3. Selecione "Contribuintes Filiados a partir de 29/11/1999" (ou antes, se for o caso)
  4. Selecione a categoria: "Contribuinte Individual" ou "Facultativo"
  5. Informe seu NIT/PIS/PASEP (número de identificação do trabalhador)
  6. Escolha o código de pagamento (1007 para 20% ou 1163 para 11%)
  7. Informe a competência (mês/ano) e o salário de contribuição
  8. Gere a guia e pague via boleto ou internet banking
Onde encontrar seu NIT/PIS/PASEP? Na carteira de trabalho (CTPS), no cartão cidadão, no extrato do FGTS ou consultando no app Meu INSS. Se nunca teve, faça a inscrição no site do INSS ou em uma agência. Saiba mais sobre o FGTS e como funciona.

Qual código escolher: 1007 ou 1163?

A escolha depende dos seus objetivos previdenciários:

  • Código 1007 (20%): escolha se você quer se aposentar por tempo de contribuição, quer receber mais que 1 salário mínimo na aposentadoria, ou ganha acima do mínimo e quer que a contribuição reflita sua renda real.
  • Código 1163 (11%): escolha se você quer apenas garantir aposentadoria por idade com valor de 1 salário mínimo, pagando menos. Não dá direito à Certidão de Tempo de Contribuição (CTC).

Se você contribui com 11% (código 1163) e depois decide que quer aposentadoria por tempo de contribuição, pode complementar os meses anteriores pagando a diferença de 9% com juros e multa.

Prazos e datas de vencimento

Os prazos de pagamento variam conforme a categoria:

CategoriaVencimentoExemplo
Contribuinte individual (GPS)Dia 15 do mês seguinteCompetência março/2026 vence em 15/04/2026
MEI (DAS)Dia 20 do mês seguinteCompetência março/2026 vence em 20/04/2026
Facultativo (GPS)Dia 15 do mês seguinteCompetência março/2026 vence em 15/04/2026

Se o dia de vencimento cair em sábado, domingo ou feriado, o pagamento pode ser feito no próximo dia útil sem multa.

Como pagar INSS em atraso: multas e juros

Esqueceu de pagar? Ainda é possível regularizar, mas haverá acréscimos:

  • Multa: 0,33% por dia de atraso, limitada a 20% do valor da contribuição
  • Juros: taxa Selic acumulada desde o mês seguinte ao vencimento até o mês do pagamento

Como gerar GPS em atraso

  1. Acesse o SAL (sal.receita.fazenda.gov.br)
  2. Siga os mesmos passos da GPS normal
  3. Informe a competência em atraso
  4. O sistema calcula automaticamente multa e juros
  5. Gere a guia com o valor atualizado e pague

Para o MEI em atraso, acesse o PGMEI e gere o DAS do mês atrasado. O sistema já calcula os acréscimos automaticamente.

Atenção ao prazo de 5 anos: Contribuições em atraso por mais de 5 anos exigem comprovação de atividade junto ao INSS. Não basta gerar a GPS. Quanto mais tempo sem pagar, mais difícil é regularizar. Se você está com meses em atraso, regularize o quanto antes.

Para evitar problemas com atrasos e organizar seu fluxo de caixa, considere montar um orçamento com a regra 50/30/20 que já contemple a contribuição mensal do INSS como despesa fixa.

MEI pode complementar a contribuição?

Sim, e muitos MEIs não sabem disso. Quando você paga apenas o DAS (5% sobre o salário mínimo), sua aposentadoria será limitada a 1 salário mínimo e você não terá direito à aposentadoria por tempo de contribuição.

Para ter direito a benefícios maiores, o MEI pode complementar a contribuição com mais 15% sobre o salário mínimo, totalizando 20%. Isso é feito via GPS com o código 1910.

Quanto custa a complementação?

ContribuiçãoValorTotal mensal (DAS + GPS)
DAS (5%)R$ 81,05R$ 324,20
GPS código 1910 (15%)R$ 243,15

Essa complementação vale a pena se você pretende se aposentar por tempo de contribuição ou quer que seu benefício considere a média real dos seus rendimentos. Para entender como a previdência complementar se encaixa no seu planejamento, leia nosso guia sobre previdência privada PGBL e VGBL.

Como consultar suas contribuições no Meu INSS

É essencial verificar se seus pagamentos estão sendo registrados corretamente. Contribuições não registradas podem prejudicar sua aposentadoria futura.

Passo a passo para consultar o CNIS

  1. Acesse meu.inss.gov.br ou baixe o app Meu INSS
  2. Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro)
  3. No menu, clique em "Extrato de Contribuição (CNIS)"
  4. Verifique se todos os meses pagos aparecem com status "contribuição confirmada"
  5. Se algum mês estiver faltando, guarde os comprovantes de pagamento e solicite correção

Faça essa consulta pelo menos uma vez por semestre. Corrigir erros no CNIS agora é muito mais fácil do que na hora de pedir aposentadoria.

Perguntas frequentes sobre INSS para autônomo

Autônomo é obrigado a pagar INSS?

Sim. Todo trabalhador que exerce atividade remunerada por conta própria é contribuinte obrigatório do INSS (art. 12 da Lei 8.212/91). A não contribuição pode gerar dívida com a Receita Federal, além de deixar o profissional sem cobertura previdenciária em caso de doença, acidente ou na aposentadoria.

Qual a diferença entre pagar 11% e 20%?

Quem paga 11% (plano simplificado) tem direito à aposentadoria por idade com valor de 1 salário mínimo, auxílio-doença e salário-maternidade. Quem paga 20% (plano completo) tem direito a todos os benefícios, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição e valor proporcional à renda declarada, podendo ultrapassar o salário mínimo.

Posso mudar de plano depois?

Sim. Você pode migrar do plano simplificado (11%) para o completo (20%) a qualquer momento. Para que os meses anteriores pagos com 11% contem para aposentadoria por tempo de contribuição, é necessário pagar a diferença de 9% com multa e juros. Não é possível migrar de 20% para 11% retroativamente.

Como saber se meu pagamento foi registrado no INSS?

Consulte o extrato CNIS no app ou site Meu INSS (meu.inss.gov.br). O registro pode levar até 60 dias após o pagamento para aparecer. Se após esse prazo a contribuição não constar, entre em contato pelo 135 com o comprovante de pagamento em mãos.

Autônomo tem direito a auxílio-doença e salário-maternidade?

Sim, desde que tenha cumprido a carência mínima de 12 contribuições (para auxílio-doença) ou 10 contribuições (para salário-maternidade). Isso vale para qualquer plano de contribuição (5%, 11% ou 20%). A carência começa a contar a partir do primeiro pagamento em dia.

Quanto tempo preciso contribuir para me aposentar?

Pela regra permanente (para quem começou a contribuir após novembro de 2019): mulheres precisam de 62 anos de idade e 15 anos de contribuição; homens precisam de 65 anos de idade e 20 anos de contribuição. Para regras de transição e detalhes sobre o cálculo do benefício, consulte nosso guia sobre aposentadoria pelo INSS.

Conclusão: não deixe para depois

Pagar o INSS como autônomo é uma obrigação legal, mas também é um investimento na sua segurança futura. O custo mínimo de R$ 178,31/mês (plano simplificado) garante acesso a auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria. Para quem pode, o plano completo de 20% abre portas para benefícios maiores.

O mais importante: não acumule meses em atraso. Configure o débito automático (MEI) ou coloque um lembrete mensal. Cada mês sem contribuição é um mês a menos na contagem da sua aposentadoria.

Se você trabalha por conta própria e quer organizar toda a sua vida financeira além do INSS, leia nosso guia sobre finanças para autônomos e MEI. E se ainda não tem uma reserva de emergência, comece por ela antes de pensar em investimentos. Para entender como declarar suas contribuições no Imposto de Renda, temos um guia dedicado.

Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento ou assessoria previdenciária. Consulte um profissional para orientação personalizada sobre sua situação.

Referências

  • INSS, Tabela de contribuição mensal 2026 (gov.br/inss)
  • Receita Federal, SAL - Sistema de Acréscimos Legais (sal.receita.fazenda.gov.br)
  • Receita Federal, PGMEI - Programa Gerador do DAS para MEI (pgmei.receita.fazenda.gov.br)
  • Lei 8.212/91, Plano de Custeio da Seguridade Social (planalto.gov.br)
  • INSS, Meu INSS - Extrato de Contribuição CNIS (meu.inss.gov.br)
Aviso: Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil e, se necessário, consulte um profissional.
Alan S.

Criador do Efeito Bola de Neve. Escreve sobre finanças pessoais e investimentos com foco em educação financeira acessível para todos os brasileiros.