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O Que É o CDI e Como Ele Afeta Seus Investimentos em 2026

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Se você já pesquisou qualquer investimento de renda fixa no Brasil, viu a sigla CDI em todo lugar: "CDB 110% do CDI", "LCI 90% do CDI", "fundo que rende 100% do CDI". Mas o que esse número realmente significa, e por que ele é tão importante para o seu dinheiro? Neste guia completo, você vai entender de uma vez por todas o que é o CDI, como ele é calculado, qual a diferença para a Selic, o que significa investir a 100%, 110% ou 120% do CDI e, principalmente, quanto o seu dinheiro rende em cada cenário com dados reais de março de 2026.

O que é o CDI?

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), também chamado de Taxa DI, e a taxa de juros cobrada em empréstimos de curtíssimo prazo, normalmente de apenas um dia (overnight), entre bancos. É a principal referência (benchmark) para investimentos de renda fixa no Brasil.

Para entender por que essa taxa existe, é preciso saber que, por regulação do Banco Central, os bancos precisam fechar cada dia com saldo positivo no caixa. Quando um banco empresta mais do que recebe em depósitos durante o dia, ele precisa pegar dinheiro emprestado de outro banco para fechar a conta. Esse empréstimo entre bancos é formalizado por meio de um Certificado de Depósito Interbancário, e a taxa cobrada nessa operação e o que chamamos de CDI.

Essas operações acontecem diariamente entre dezenas de instituições financeiras, e a taxa resultante é calculada e publicada pela B3 (a bolsa de valores brasileira, antiga CETIP). Como o CDI reflete o custo real do dinheiro entre os maiores bancos do país, ele se tornou o indicador mais usado pelo mercado para precificar investimentos de renda fixa.

CDI atual (março/2026): 14,65% ao ano. A taxa acompanha de perto a Selic, que está em 14,75% a.a. (meta definida pelo COPOM).

Na prática, quando você vê um CDB oferecendo "110% do CDI" ou uma LCI pagando "90% do CDI", o banco está dizendo que o seu rendimento será calculado como um percentual dessa taxa de referência. É por isso que entender o CDI é fundamental para qualquer investidor de renda fixa no Brasil, ele determina quanto o seu dinheiro vai render.

Como o CDI é calculado?

O CDI é calculado diariamente pela B3 com base em operações reais de Depósitos Interfinanceiros entre instituições de diferentes conglomerados financeiros (chamadas de operações "extra-grupo"). Ou seja, empréstimos entre empresas do mesmo grupo econômico não entram na conta, isso evita manipulação.

O processo de cálculo segue regras específicas e rigorosas:

  1. Coleta de operações: a B3 recebe os registros de todas as operações de DI realizadas no dia entre bancos de diferentes grupos
  2. Filtro de volume mínimo: para que o CDI do dia seja calculado, são necessárias no mínimo 100 operações e um volume total de pelo menos R$ 30 bilhões
  3. Corte de extremos: as 10% maiores e 10% menores taxas são descartadas, eliminando outliers que poderiam distorcer a média
  4. Média ponderada: com as taxas restantes, calcula-se a média ponderada pelo volume de cada operação
  5. Públicação: o resultado é divulgado no mesmo dia pela B3
Importante: se o volume mínimo de operações não for atingido em determinado dia (menos de 100 operações ou menos de R$ 30 bilhões), o CDI é igualado à Selic Over (a taxa efetiva da Selic). Isso acontece raramente, mas garante que sempre haja uma referência publicada.

A taxa CDI é expressa como uma taxa anualizada na base de 252 dias úteis, o padrão do mercado financeiro brasileiro. Isso significa que, para calcular o rendimento diário, é preciso converter a taxa anual para a taxa equivalente de um dia útil. Por exemplo, um CDI de 14,65% ao ano equivale a aproximadamente 0,0543% por dia útil.

Esse mecanismo de cálculo baseado em operações reais e o que dá credibilidade ao CDI como benchmark. Diferente de taxas definidas por comitês (como a Selic meta), o CDI reflete o que os bancos efetivamente praticam no mercado interbancário.

Qual a diferença entre CDI e Selic?

O CDI e a Selic são as duas taxas de juros mais importantes do Brasil, mas têm origens e funções diferentes. Na prática, elas caminham juntas, a diferença típica entre elas é de apenas 0,10 a 0,20 ponto percentual, mas é importante entender o que cada uma representa.

CDI Selic
O que é Taxa de empréstimos entre bancos Taxa básica de juros da economia
Quem define Mercado (operações reais entre bancos) COPOM (Banco Central)
Valores em mar/2026 14,65% a.a. 14,75% a.a. (meta)
Diferença típica 0,10 a 0,20 p.p. abaixo da Selic Referência para o CDI
Usado como benchmark para CDB, LCI, LCA, fundos, debêntures Tesouro Selic, financiamentos

A Selic meta é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e serve como instrumento de política monetária, e a principal ferramenta para controlar a inflação. Já o CDI é uma taxa de mercado, determinada pelas operações reais entre bancos no dia a dia.

Na prática, quando o COPOM sobe ou corta a Selic, o CDI segue quase imediatamente. Se o COPOM sobe a Selic de 14,25% para 14,75%, o CDI acompanha e sobe de algo como 14,15% para 14,65%. Isso acontece porque os bancos ajustam as taxas dos empréstimos interbancários de acordo com a taxa básica definida pelo BC.

Para o investidor, a diferença prática é simples: investimentos atrelados à Selic (como o Tesouro Selic) rendem a taxa Selic, e investimentos atrelados ao CDI (como CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI) rendem um percentual do CDI. Como as duas taxas são quase iguais, o rendimento final é muito parecido. Para entender melhor como a Selic funciona e impacta a economia, leia nosso guia sobre a taxa Selic é como ela afeta seus investimentos.

Histórico do CDI: quanto rendeu nos últimos anos

O CDI acumulado varia bastante de ano para ano, pois acompanha diretamente a política monetária do Banco Central. Veja o histórico completo da última década:

Ano CDI acumulado
2015 13,24%
2016 14,00%
2017 9,93%
2018 6,42%
2019 5,96%
2020 2,75%
2021 4,42%
2022 12,39%
2023 13,04%
2024 10,88%
2025 14,32%

Fontes: Investidor10, Brasil Indicadores.

Esse histórico mostra como o CDI é um reflexo direto da política de juros do país. Em 2020, quando o Banco Central reduziu a Selic para a mínima histórica de 2% ao ano, o CDI rendeu míseros 2,75%, um rendimento que nem sequer cobriu a inflação de 4,5% naquele ano. Ou seja, quem deixou dinheiro em investimentos atrelados ao CDI em 2020 perdeu poder de compra.

Já em 2025, com a Selic atingindo 15% ao ano, o CDI acumulado chegou a 14,32%, um rendimento expressivo, bem acima da inflação. Esse contraste mostra a importância de entender o cenário macroeconômico: em ciclos de juros baixos, investimentos pós-fixados (atrelados ao CDI) rendem pouco, e pode ser mais interessante buscar alternativas como títulos prefixados ou atrelados à inflação.

A trajetória do CDI segue diretamente a política monetária: quando o Banco Central sobe juros para conter inflação, o CDI sobe junto. Quando corta juros para estimular a economia, o CDI cai. É um termômetro da economia brasileira.

O que significa "100% do CDI", "110% do CDI", "120% do CDI"?

Essa e a pergunta mais frequente sobre o CDI, e a resposta é mais simples do que parece. Quando um banco oferece um investimento que rende "X% do CDI", ele está dizendo que o rendimento será uma fração ou múltiplo da taxa CDI.

  • 100% do CDI = seu investimento rende exatamente a taxa CDI (14,65% a.a. em março/2026)
  • 110% do CDI = rende 10% a mais que o CDI (14,65% x 1,10 = 16,11% a.a.)
  • 90% do CDI = rende 10% a menos que o CDI (14,65% x 0,90 = 13,18% a.a.)
  • 120% do CDI = rende 20% a mais que o CDI (14,65% x 1,20 = 17,58% a.a.)

A tabela abaixo mostra na prática quanto cada faixa representa em taxa equivalente e em rendimento bruto sobre R$ 10.000 investidos por 12 meses:

% do CDI Taxa equivalente R$ 10.000 em 12 meses (bruto)
90% 13,18% a.a. R$ 11.318
100% 14,65% a.a. R$ 11.465
110% 16,11% a.a. R$ 11.611
120% 17,58% a.a. R$ 11.758
130% 19,04% a.a. R$ 11.904

Perceba a diferença: entre investir a 90% do CDI e a 130% do CDI, a diferença de rendimento bruto sobre R$ 10.000 em um ano é de quase R$ 600. Pode parecer pouco em valores absolutos, mas em percentual e uma diferença significativa, e ela se amplifica com valores maiores e prazos mais longos graças aos juros compostos.

Dica prática: um CDB de 100% do CDI rende mais que a poupança, que paga apenas 70% da Selic quando a taxa está acima de 8,5% ao ano (~10,32% a.a. em 2026). Ou seja, até um investimento que pague "apenas" 100% do CDI já supera a caderneta. Saiba mais em por que a poupança rende pouco.

Na hora de escolher entre dois investimentos, compare sempre o percentual do CDI oferecido, mas considere também o prazo, a liquidez, o risco de crédito do emissor e, principalmente, a tributação. Um CDB a 100% do CDI paga Imposto de Renda sobre o rendimento, enquanto uma LCI a 90% do CDI é isenta, e na maioria dos casos a LCI rende mais líquido, como veremos adiante.

Quanto rende R$ 10.000 a 100% do CDI (com e sem IR)?

A resposta depende do prazo e do tipo de investimento. Para investimentos tributáveis como CDBs, o Imposto de Renda sobre renda fixa segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo você deixa o dinheiro investido, menor a alíquota. Veja a simulação real com CDI a 14,65% ao ano:

CDB a 100% do CDI (com IR)

Prazo Rendimento bruto IR Rendimento líquido Total final
6 meses ~R$ 710 22,5% (R$ 160) ~R$ 550 ~R$ 10.550
1 ano ~R$ 1.465 17,5% (R$ 256) ~R$ 1.209 ~R$ 11.209
2 anos ~R$ 3.145 15,0% (R$ 472) ~R$ 2.673 ~R$ 12.673

Observe como a alíquota do IR diminui com o tempo: de 22,5% (até 180 dias) para 17,5% (181 a 360 dias) e 15% (acima de 720 dias). Existe ainda a alíquota de 20% para o prazo de 361 a 720 dias. Essa tabela regressiva e um incentivo para o investidor manter o dinheiro aplicado por mais tempo.

LCI/LCA (isentas de IR para pessoa física)

LCIs e LCAs são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Isso faz uma diferença enorme no rendimento líquido, mesmo quando o percentual do CDI oferecido é menor:

  • R$ 10.000 a 90% do CDI (13,18% a.a.) por 1 ano: rendimento = ~R$ 1.318 líquido (sem IR)
  • R$ 10.000 a 100% do CDI (14,65% a.a.) por 1 ano em CDB: rendimento líquido = ~R$ 1.209 (após IR de 17,5%)
Conclusão surpreendente: uma LCI a 90% do CDI rende mais líquido que um CDB a 100% do CDI em qualquer prazo. Por isso, sempre compare investimentos pela rentabilidade líquida, não pela bruta. Para entender em detalhes como esses produtos funcionam, leia nosso guia sobre CDB, LCI e LCA.

Essa comparação mostra por que investidores experientes não olham apenas o percentual do CDI anunciado. O que importa e o rendimento que chega no seu bolso, e para isso, a tributação faz toda a diferença.

Quais investimentos usam o CDI como referência?

O CDI e o benchmark mais utilizado no mercado de renda fixa brasileiro. Praticamente todo investimento pós-fixado usa a Taxa DI como referência para calcular o rendimento. Veja os principais:

CDB: Certificado de Depósito Bancário

O CDB e o investimento mais popular atrelado ao CDI. Bancos oferecem CDBs que rendem de 90% a 130% do CDI, dependendo do prazo, valor mínimo e porte do banco emissor. Bancos menores costumam pagar taxas maiores para atrair investidores. O CDB tem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição e é tributado pela tabela regressiva de IR.

LCI e LCA: Letras de Crédito

LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) oferecem tipicamente entre 85% e 95% do CDI. O grande diferencial e a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que faz com que uma LCI a 90% do CDI renda mais líquido que um CDB a 100%. Também contam com proteção do FGC.

Fundos DI e Fundos de Renda Fixa

Os fundos DI são fundos de investimento que aplicam predominantemente em títulos pós-fixados, buscando render o mais próximo possível de 100% do CDI. É preciso ficar atento à taxa de administração: um fundo que cobra 1% ao ano e rende 100% do CDI na prática entrega ao investidor cerca de 86% do CDI líquido. Fundos com taxa acima de 0,5% ao ano já são considerados caros para essa categoria.

Debêntures

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. Frequentemente oferecem CDI + spread (por exemplo, CDI + 1,5% a.a. ou CDI + 2% a.a.), o que significa que o rendimento e a taxa CDI inteira mais um adicional fixo. Debêntures incentivadas (de infraestrutura) são isentas de IR para pessoa física. O risco é maior que CDBs, pois debêntures não têm cobertura do FGC.

Contas remuneradas

Bancos digitais como Nubank, Inter, PicPay e Mercado Pago oferecem rendimento automático sobre o saldo em conta, geralmente a 100% do CDI. É dinheiro parado na conta rendendo como se estivesse aplicado, uma opção prática para a reserva de emergência ou para recursos que você usa no dia a dia.

Resumo comparativo

Investimento Faixa típica de CDI IR Proteção FGC
CDB 90–130% do CDI Sim (tabela regressiva) Sim (até R$ 250 mil)
LCI / LCA 85–95% do CDI Isento para PF Sim (até R$ 250 mil)
Fundos DI ~100% do CDI (menos taxa adm.) Sim (come-cotas) Não
Debêntures CDI + 1% a 3% Sim (ou isento se incentivada) Não
Contas remuneradas 100% do CDI Sim (tabela regressiva) Sim (até R$ 250 mil)

CDI vs. poupança: por que a poupança perde

A poupança e o investimento mais popular do Brasil, mas também é um dos que menos rende. Com a Selic acima de 8,5% ao ano (o que é o caso desde 2022), a poupança segue a regra de rendimento de 70% da Selic + TR. Na prática, em março de 2026:

  • Poupança: rende ~10,32% ao ano (70% de 14,75%)
  • CDI: 14,65% ao ano
  • Diferença: 4,33 pontos percentuais ao ano

Em números concretos: quem deixa R$ 10.000 na poupança por um ano recebe cerca de R$ 1.032. Quem aplica os mesmos R$ 10.000 em um CDB a 100% do CDI recebe ~R$ 1.209 líquidos (já descontado o IR de 17,5%). São mais de R$ 170 a mais, praticamente sem nenhum esforço adicional.

E a diferença fica ainda maior se você considerar LCIs e LCAs: uma LCI a 90% do CDI renderia ~R$ 1.318 líquidos no mesmo período, quase R$ 290 a mais que a poupança.

Atenção: a poupança só seria mais vantajosa que CDBs tributáveis se a Selic caísse abaixo de ~6% ao ano, um cenário que não ocorre desde 2020 e que, com a inflação atual, está distante de se concretizar. Para entender em detalhes por que a caderneta perde para outras opções, leia por que a poupança rende pouco.

Se a poupança rende menos, por que ainda é tão popular? Por hábito, facilidade e desconhecimento. Muitas pessoas não sabem que existem alternativas tão simples quanto a poupança, como contas remuneradas a 100% do CDI, que rendem significativamente mais e têm a mesma praticidade.

CDI e a mesma coisa que Selic?

Não, o CDI não é a mesma coisa que a Selic, embora as duas taxas sejam muito próximas e se movam juntas. A Selic e a taxa básica de juros definida pelo Banco Central (via COPOM), enquanto o CDI é uma taxa de mercado, determinada pelas operações reais entre bancos. A diferença típica entre elas é de apenas 0,10 a 0,20 ponto percentual, em março de 2026, a Selic meta está em 14,75% e o CDI em 14,65%.

Para o investidor, a diferença prática é pequena: investimentos atrelados à Selic (Tesouro Selic) e investimentos atrelados ao CDI (CDBs, LCIs, fundos DI) rendem valores muito parecidos. A escolha entre um e outro depende mais de fatores como liquidez, tributação e valor mínimo do que da taxa em si.

O que é melhor: 100% do CDI ou poupança?

Um investimento que rende 100% do CDI é melhor que a poupança em todos os cenários com Selic acima de 8,5% ao ano, que é a situação atual e tende a permanecer assim enquanto o Banco Central mantiver a postura de combate à inflação.

A poupança rende 70% da Selic (~10,32% a.a. em 2026), enquanto 100% do CDI equivale a 14,65% a.a. Mesmo após o desconto de IR sobre o CDB, o rendimento líquido supera a poupança em todos os prazos. É para LCIs e LCAs (isentas de IR), a vantagem é ainda maior, como demonstramos nas simulações acima.

CDI pode cair?

Sim, o CDI pode, e vai, cair em algum momento. Como o CDI acompanha a Selic, ele sobe quando o COPOM aumenta os juros e cai quando o COPOM corta a taxa. Isso faz parte do ciclo econômico normal.

O último grande ciclo de queda foi entre 2019 e 2020, quando a Selic saiu de 6,5% para 2% ao ano e o CDI caiu junto, chegando a 2,75% acumulado em 2020. Quando o CDI cai, todos os investimentos pós-fixados (atrelados ao CDI) passam a render menos automaticamente. Por isso, investidores diversificam entre pós-fixados, prefixados e atrelados à inflação, equilibrando o portfólio para diferentes cenários de juros.

100% do CDI é um bom rendimento?

Investir a 100% do CDI é considerado o piso da renda fixa. É um rendimento adequado para reserva de emergência e recursos de curto prazo (até 1 ano), mas para objetivos de longo prazo, aposentadoria, independência financeira, acumulação de patrimônio, o ideal é buscar investimentos que superem o CDI.

Na prática:

  • Reserva de emergência: 100% do CDI é excelente, priorize liquidez e segurança
  • Curto prazo (até 2 anos): busque CDBs de 110–120% do CDI ou LCIs/LCAs 90%+
  • Longo prazo (5+ anos): diversifique para Tesouro IPCA+, ações, fundos imobiliários e ETFs, ativos com potencial de retorno acima do CDI consistentemente

O CDI e a "régua" contra a qual todo investimento é medido. Um fundo de ações que rende menos que o CDI por vários anos seguidos provavelmente não está justificando o risco adicional. É por isso que o CDI é tão importante: ele define o custo de oportunidade do seu dinheiro.

LCI a 90% do CDI rende mais que CDB a 100% do CDI?

Sim, na maioria dos prazos. Esse é um dos pontos que mais confunde investidores iniciantes. O percentual do CDI anunciado não é a história completa, é preciso considerar a tributação.

Um CDB a 100% do CDI paga Imposto de Renda de 22,5% a 15% sobre o rendimento, dependendo do prazo. Já uma LCI a 90% do CDI é isenta de IR para pessoa física. Fazendo as contas com CDI a 14,65%:

  • CDB 100% CDI por 1 ano: rendimento bruto de 14,65%, IR de 17,5% = rendimento líquido de ~12,09%
  • LCI 90% CDI por 1 ano: rendimento de 13,18%, sem IR = rendimento líquido de 13,18%

A LCI rende 1,09 ponto percentual a mais em termos líquidos. Em R$ 10.000, isso representa ~R$ 109 a mais no seu bolso em apenas um ano. Quanto maior o valor investido e o prazo, maior a vantagem. Por isso, entender as diferenças entre CDB, LCI e LCA é essencial antes de investir.

O que acontece com meus investimentos se o CDI cair?

Se o CDI cair, os efeitos dependem do tipo de investimento que você tem:

  • Investimentos pós-fixados (CDI%): passam a render menos automaticamente. Um CDB a 100% do CDI que rendia 14,65% ao ano passará a render, por exemplo, 10% ao ano se o CDI cair para esse patamar. O rendimento futuro diminui, mas o que já foi acumulado não é afetado.
  • Investimentos prefixados: mantêm a taxa contratada independentemente do que aconteça com o CDI. Se você contratou um CDB prefixado a 15% ao ano, vai receber 15% até o vencimento, mesmo que o CDI caia para 8%.
  • Investimentos atrelados à inflação (IPCA+): também não são afetados diretamente pelo CDI. Rendem a inflação do período mais uma taxa fixa contratada.

Por isso, uma carteira bem diversificada entre pós-fixados, prefixados e indexados à inflação protege o investidor em diferentes cenários. Quando o CDI cai, os prefixados e IPCA+ contratados antes da queda se valorizam. Quando o CDI sobe, os pós-fixados passam a render mais. Saiba como equilibrar esses investimentos em nosso guia sobre como montar uma carteira de investimentos.

Como acompanhar o CDI atualizado?

Acompanhar o CDI é simples. A taxa é publicada diariamente e pode ser consultada gratuitamente em diversas fontes:

  • B3 (b3.com.br): fonte oficial. Pública a taxa DI diária e o acumulado mensal/anual
  • Banco Central (bcb.gov.br): disponibiliza séries históricas completas do CDI e da Selic no SGS (Sistema Gerenciador de Séries Temporais)
  • Investidor10 (investidor10.com.br): exibe o CDI acumulado no mês e no ano, com gráficos históricos
  • Brasil Indicadores (brasilindicadores.com.br): mostra o CDI mensal e anual de forma visual e intuitiva
  • Calculadoras de corretoras: plataformas como XP, Rico, BTG e NuInvest oferecem calculadoras que simulam rendimentos com base no CDI atualizado

Para quem investe regularmente, vale acompanhar as decisões do COPOM (a cada 45 dias), pois elas sinalizam a direção futura do CDI. Se o COPOM sobe a Selic, o CDI vai subir. Se corta, o CDI vai cair.

Conclusão: o CDI e a régua da renda fixa brasileira

O CDI e o indicador mais importante para quem investe em renda fixa no Brasil. Ele determina quanto rendem CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI, debêntures e contas remuneradas, ou seja, a grande maioria dos investimentos de renda fixa disponíveis no mercado. Entendê-lo não é opcional: é fundamental.

Para colocar em prática o que você aprendeu:

  • Para sua reserva de emergência: busque um CDB com liquidez diária a 100% do CDI ou uma conta remunerada que pague 100% do CDI
  • Para médio prazo: compare LCIs e LCAs a 90%+ do CDI (isentas de IR) com CDBs a 110%+ do CDI, faça a conta líquida
  • Para crescer patrimônio no longo prazo: diversifique para além do CDI, considere Tesouro IPCA+, ações e fundos imobiliários como parte de uma carteira bem montada

Agora que você domina o CDI, aprofunde seu conhecimento nos investimentos que usam essa taxa como referência:

Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.

Referências

  • B3, Metodologia de apuração da Taxa DI (b3.com.br)
  • Investidor10, CDI acumulado histórico (investidor10.com.br)
  • Brasil Indicadores, CDI mensal (brasilindicadores.com.br)
  • Banco Central do Brasil, Taxa Selic e séries temporais (bcb.gov.br)
Aviso: Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. Antes de tomar decisões financeiras, avalie seu perfil e, se necessário, consulte um profissional.
Alan S.

Criador do Efeito Bola de Neve. Escreve sobre finanças pessoais e investimentos com foco em educação financeira acessível para todos os brasileiros.