Se você já pesquisou qualquer investimento de renda fixa no Brasil, viu a sigla CDI em todo lugar: "CDB 110% do CDI", "LCI 90% do CDI", "fundo que rende 100% do CDI". Mas o que esse número realmente significa, e por que ele é tão importante para o seu dinheiro? Neste guia completo, você vai entender de uma vez por todas o que é o CDI, como ele é calculado, qual a diferença para a Selic, o que significa investir a 100%, 110% ou 120% do CDI e, principalmente, quanto o seu dinheiro rende em cada cenário com dados reais de março de 2026.
O que é o CDI?
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), também chamado de Taxa DI, e a taxa de juros cobrada em empréstimos de curtíssimo prazo, normalmente de apenas um dia (overnight), entre bancos. É a principal referência (benchmark) para investimentos de renda fixa no Brasil.
Para entender por que essa taxa existe, é preciso saber que, por regulação do Banco Central, os bancos precisam fechar cada dia com saldo positivo no caixa. Quando um banco empresta mais do que recebe em depósitos durante o dia, ele precisa pegar dinheiro emprestado de outro banco para fechar a conta. Esse empréstimo entre bancos é formalizado por meio de um Certificado de Depósito Interbancário, e a taxa cobrada nessa operação e o que chamamos de CDI.
Essas operações acontecem diariamente entre dezenas de instituições financeiras, e a taxa resultante é calculada e publicada pela B3 (a bolsa de valores brasileira, antiga CETIP). Como o CDI reflete o custo real do dinheiro entre os maiores bancos do país, ele se tornou o indicador mais usado pelo mercado para precificar investimentos de renda fixa.
Na prática, quando você vê um CDB oferecendo "110% do CDI" ou uma LCI pagando "90% do CDI", o banco está dizendo que o seu rendimento será calculado como um percentual dessa taxa de referência. É por isso que entender o CDI é fundamental para qualquer investidor de renda fixa no Brasil, ele determina quanto o seu dinheiro vai render.
Como o CDI é calculado?
O CDI é calculado diariamente pela B3 com base em operações reais de Depósitos Interfinanceiros entre instituições de diferentes conglomerados financeiros (chamadas de operações "extra-grupo"). Ou seja, empréstimos entre empresas do mesmo grupo econômico não entram na conta, isso evita manipulação.
O processo de cálculo segue regras específicas e rigorosas:
- Coleta de operações: a B3 recebe os registros de todas as operações de DI realizadas no dia entre bancos de diferentes grupos
- Filtro de volume mínimo: para que o CDI do dia seja calculado, são necessárias no mínimo 100 operações e um volume total de pelo menos R$ 30 bilhões
- Corte de extremos: as 10% maiores e 10% menores taxas são descartadas, eliminando outliers que poderiam distorcer a média
- Média ponderada: com as taxas restantes, calcula-se a média ponderada pelo volume de cada operação
- Públicação: o resultado é divulgado no mesmo dia pela B3
A taxa CDI é expressa como uma taxa anualizada na base de 252 dias úteis, o padrão do mercado financeiro brasileiro. Isso significa que, para calcular o rendimento diário, é preciso converter a taxa anual para a taxa equivalente de um dia útil. Por exemplo, um CDI de 14,65% ao ano equivale a aproximadamente 0,0543% por dia útil.
Esse mecanismo de cálculo baseado em operações reais e o que dá credibilidade ao CDI como benchmark. Diferente de taxas definidas por comitês (como a Selic meta), o CDI reflete o que os bancos efetivamente praticam no mercado interbancário.
Qual a diferença entre CDI e Selic?
O CDI e a Selic são as duas taxas de juros mais importantes do Brasil, mas têm origens e funções diferentes. Na prática, elas caminham juntas, a diferença típica entre elas é de apenas 0,10 a 0,20 ponto percentual, mas é importante entender o que cada uma representa.
| CDI | Selic | |
|---|---|---|
| O que é | Taxa de empréstimos entre bancos | Taxa básica de juros da economia |
| Quem define | Mercado (operações reais entre bancos) | COPOM (Banco Central) |
| Valores em mar/2026 | 14,65% a.a. | 14,75% a.a. (meta) |
| Diferença típica | 0,10 a 0,20 p.p. abaixo da Selic | Referência para o CDI |
| Usado como benchmark para | CDB, LCI, LCA, fundos, debêntures | Tesouro Selic, financiamentos |
A Selic meta é definida a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e serve como instrumento de política monetária, e a principal ferramenta para controlar a inflação. Já o CDI é uma taxa de mercado, determinada pelas operações reais entre bancos no dia a dia.
Na prática, quando o COPOM sobe ou corta a Selic, o CDI segue quase imediatamente. Se o COPOM sobe a Selic de 14,25% para 14,75%, o CDI acompanha e sobe de algo como 14,15% para 14,65%. Isso acontece porque os bancos ajustam as taxas dos empréstimos interbancários de acordo com a taxa básica definida pelo BC.
Para o investidor, a diferença prática é simples: investimentos atrelados à Selic (como o Tesouro Selic) rendem a taxa Selic, e investimentos atrelados ao CDI (como CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI) rendem um percentual do CDI. Como as duas taxas são quase iguais, o rendimento final é muito parecido. Para entender melhor como a Selic funciona e impacta a economia, leia nosso guia sobre a taxa Selic é como ela afeta seus investimentos.
Histórico do CDI: quanto rendeu nos últimos anos
O CDI acumulado varia bastante de ano para ano, pois acompanha diretamente a política monetária do Banco Central. Veja o histórico completo da última década:
| Ano | CDI acumulado |
|---|---|
| 2015 | 13,24% |
| 2016 | 14,00% |
| 2017 | 9,93% |
| 2018 | 6,42% |
| 2019 | 5,96% |
| 2020 | 2,75% |
| 2021 | 4,42% |
| 2022 | 12,39% |
| 2023 | 13,04% |
| 2024 | 10,88% |
| 2025 | 14,32% |
Fontes: Investidor10, Brasil Indicadores.
Esse histórico mostra como o CDI é um reflexo direto da política de juros do país. Em 2020, quando o Banco Central reduziu a Selic para a mínima histórica de 2% ao ano, o CDI rendeu míseros 2,75%, um rendimento que nem sequer cobriu a inflação de 4,5% naquele ano. Ou seja, quem deixou dinheiro em investimentos atrelados ao CDI em 2020 perdeu poder de compra.
Já em 2025, com a Selic atingindo 15% ao ano, o CDI acumulado chegou a 14,32%, um rendimento expressivo, bem acima da inflação. Esse contraste mostra a importância de entender o cenário macroeconômico: em ciclos de juros baixos, investimentos pós-fixados (atrelados ao CDI) rendem pouco, e pode ser mais interessante buscar alternativas como títulos prefixados ou atrelados à inflação.
A trajetória do CDI segue diretamente a política monetária: quando o Banco Central sobe juros para conter inflação, o CDI sobe junto. Quando corta juros para estimular a economia, o CDI cai. É um termômetro da economia brasileira.
O que significa "100% do CDI", "110% do CDI", "120% do CDI"?
Essa e a pergunta mais frequente sobre o CDI, e a resposta é mais simples do que parece. Quando um banco oferece um investimento que rende "X% do CDI", ele está dizendo que o rendimento será uma fração ou múltiplo da taxa CDI.
- 100% do CDI = seu investimento rende exatamente a taxa CDI (14,65% a.a. em março/2026)
- 110% do CDI = rende 10% a mais que o CDI (14,65% x 1,10 = 16,11% a.a.)
- 90% do CDI = rende 10% a menos que o CDI (14,65% x 0,90 = 13,18% a.a.)
- 120% do CDI = rende 20% a mais que o CDI (14,65% x 1,20 = 17,58% a.a.)
A tabela abaixo mostra na prática quanto cada faixa representa em taxa equivalente e em rendimento bruto sobre R$ 10.000 investidos por 12 meses:
| % do CDI | Taxa equivalente | R$ 10.000 em 12 meses (bruto) |
|---|---|---|
| 90% | 13,18% a.a. | R$ 11.318 |
| 100% | 14,65% a.a. | R$ 11.465 |
| 110% | 16,11% a.a. | R$ 11.611 |
| 120% | 17,58% a.a. | R$ 11.758 |
| 130% | 19,04% a.a. | R$ 11.904 |
Perceba a diferença: entre investir a 90% do CDI e a 130% do CDI, a diferença de rendimento bruto sobre R$ 10.000 em um ano é de quase R$ 600. Pode parecer pouco em valores absolutos, mas em percentual e uma diferença significativa, e ela se amplifica com valores maiores e prazos mais longos graças aos juros compostos.
Na hora de escolher entre dois investimentos, compare sempre o percentual do CDI oferecido, mas considere também o prazo, a liquidez, o risco de crédito do emissor e, principalmente, a tributação. Um CDB a 100% do CDI paga Imposto de Renda sobre o rendimento, enquanto uma LCI a 90% do CDI é isenta, e na maioria dos casos a LCI rende mais líquido, como veremos adiante.
Quanto rende R$ 10.000 a 100% do CDI (com e sem IR)?
A resposta depende do prazo e do tipo de investimento. Para investimentos tributáveis como CDBs, o Imposto de Renda sobre renda fixa segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo você deixa o dinheiro investido, menor a alíquota. Veja a simulação real com CDI a 14,65% ao ano:
CDB a 100% do CDI (com IR)
| Prazo | Rendimento bruto | IR | Rendimento líquido | Total final |
|---|---|---|---|---|
| 6 meses | ~R$ 710 | 22,5% (R$ 160) | ~R$ 550 | ~R$ 10.550 |
| 1 ano | ~R$ 1.465 | 17,5% (R$ 256) | ~R$ 1.209 | ~R$ 11.209 |
| 2 anos | ~R$ 3.145 | 15,0% (R$ 472) | ~R$ 2.673 | ~R$ 12.673 |
Observe como a alíquota do IR diminui com o tempo: de 22,5% (até 180 dias) para 17,5% (181 a 360 dias) e 15% (acima de 720 dias). Existe ainda a alíquota de 20% para o prazo de 361 a 720 dias. Essa tabela regressiva e um incentivo para o investidor manter o dinheiro aplicado por mais tempo.
LCI/LCA (isentas de IR para pessoa física)
LCIs e LCAs são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Isso faz uma diferença enorme no rendimento líquido, mesmo quando o percentual do CDI oferecido é menor:
- R$ 10.000 a 90% do CDI (13,18% a.a.) por 1 ano: rendimento = ~R$ 1.318 líquido (sem IR)
- R$ 10.000 a 100% do CDI (14,65% a.a.) por 1 ano em CDB: rendimento líquido = ~R$ 1.209 (após IR de 17,5%)
Essa comparação mostra por que investidores experientes não olham apenas o percentual do CDI anunciado. O que importa e o rendimento que chega no seu bolso, e para isso, a tributação faz toda a diferença.
Quais investimentos usam o CDI como referência?
O CDI e o benchmark mais utilizado no mercado de renda fixa brasileiro. Praticamente todo investimento pós-fixado usa a Taxa DI como referência para calcular o rendimento. Veja os principais:
CDB: Certificado de Depósito Bancário
O CDB e o investimento mais popular atrelado ao CDI. Bancos oferecem CDBs que rendem de 90% a 130% do CDI, dependendo do prazo, valor mínimo e porte do banco emissor. Bancos menores costumam pagar taxas maiores para atrair investidores. O CDB tem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250.000 por CPF por instituição e é tributado pela tabela regressiva de IR.
LCI e LCA: Letras de Crédito
LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) oferecem tipicamente entre 85% e 95% do CDI. O grande diferencial e a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que faz com que uma LCI a 90% do CDI renda mais líquido que um CDB a 100%. Também contam com proteção do FGC.
Fundos DI e Fundos de Renda Fixa
Os fundos DI são fundos de investimento que aplicam predominantemente em títulos pós-fixados, buscando render o mais próximo possível de 100% do CDI. É preciso ficar atento à taxa de administração: um fundo que cobra 1% ao ano e rende 100% do CDI na prática entrega ao investidor cerca de 86% do CDI líquido. Fundos com taxa acima de 0,5% ao ano já são considerados caros para essa categoria.
Debêntures
As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. Frequentemente oferecem CDI + spread (por exemplo, CDI + 1,5% a.a. ou CDI + 2% a.a.), o que significa que o rendimento e a taxa CDI inteira mais um adicional fixo. Debêntures incentivadas (de infraestrutura) são isentas de IR para pessoa física. O risco é maior que CDBs, pois debêntures não têm cobertura do FGC.
Contas remuneradas
Bancos digitais como Nubank, Inter, PicPay e Mercado Pago oferecem rendimento automático sobre o saldo em conta, geralmente a 100% do CDI. É dinheiro parado na conta rendendo como se estivesse aplicado, uma opção prática para a reserva de emergência ou para recursos que você usa no dia a dia.
Resumo comparativo
| Investimento | Faixa típica de CDI | IR | Proteção FGC |
|---|---|---|---|
| CDB | 90–130% do CDI | Sim (tabela regressiva) | Sim (até R$ 250 mil) |
| LCI / LCA | 85–95% do CDI | Isento para PF | Sim (até R$ 250 mil) |
| Fundos DI | ~100% do CDI (menos taxa adm.) | Sim (come-cotas) | Não |
| Debêntures | CDI + 1% a 3% | Sim (ou isento se incentivada) | Não |
| Contas remuneradas | 100% do CDI | Sim (tabela regressiva) | Sim (até R$ 250 mil) |
CDI vs. poupança: por que a poupança perde
A poupança e o investimento mais popular do Brasil, mas também é um dos que menos rende. Com a Selic acima de 8,5% ao ano (o que é o caso desde 2022), a poupança segue a regra de rendimento de 70% da Selic + TR. Na prática, em março de 2026:
- Poupança: rende ~10,32% ao ano (70% de 14,75%)
- CDI: 14,65% ao ano
- Diferença: 4,33 pontos percentuais ao ano
Em números concretos: quem deixa R$ 10.000 na poupança por um ano recebe cerca de R$ 1.032. Quem aplica os mesmos R$ 10.000 em um CDB a 100% do CDI recebe ~R$ 1.209 líquidos (já descontado o IR de 17,5%). São mais de R$ 170 a mais, praticamente sem nenhum esforço adicional.
E a diferença fica ainda maior se você considerar LCIs e LCAs: uma LCI a 90% do CDI renderia ~R$ 1.318 líquidos no mesmo período, quase R$ 290 a mais que a poupança.
Se a poupança rende menos, por que ainda é tão popular? Por hábito, facilidade e desconhecimento. Muitas pessoas não sabem que existem alternativas tão simples quanto a poupança, como contas remuneradas a 100% do CDI, que rendem significativamente mais e têm a mesma praticidade.
CDI e a mesma coisa que Selic?
Não, o CDI não é a mesma coisa que a Selic, embora as duas taxas sejam muito próximas e se movam juntas. A Selic e a taxa básica de juros definida pelo Banco Central (via COPOM), enquanto o CDI é uma taxa de mercado, determinada pelas operações reais entre bancos. A diferença típica entre elas é de apenas 0,10 a 0,20 ponto percentual, em março de 2026, a Selic meta está em 14,75% e o CDI em 14,65%.
Para o investidor, a diferença prática é pequena: investimentos atrelados à Selic (Tesouro Selic) e investimentos atrelados ao CDI (CDBs, LCIs, fundos DI) rendem valores muito parecidos. A escolha entre um e outro depende mais de fatores como liquidez, tributação e valor mínimo do que da taxa em si.
O que é melhor: 100% do CDI ou poupança?
Um investimento que rende 100% do CDI é melhor que a poupança em todos os cenários com Selic acima de 8,5% ao ano, que é a situação atual e tende a permanecer assim enquanto o Banco Central mantiver a postura de combate à inflação.
A poupança rende 70% da Selic (~10,32% a.a. em 2026), enquanto 100% do CDI equivale a 14,65% a.a. Mesmo após o desconto de IR sobre o CDB, o rendimento líquido supera a poupança em todos os prazos. É para LCIs e LCAs (isentas de IR), a vantagem é ainda maior, como demonstramos nas simulações acima.
CDI pode cair?
Sim, o CDI pode, e vai, cair em algum momento. Como o CDI acompanha a Selic, ele sobe quando o COPOM aumenta os juros e cai quando o COPOM corta a taxa. Isso faz parte do ciclo econômico normal.
O último grande ciclo de queda foi entre 2019 e 2020, quando a Selic saiu de 6,5% para 2% ao ano e o CDI caiu junto, chegando a 2,75% acumulado em 2020. Quando o CDI cai, todos os investimentos pós-fixados (atrelados ao CDI) passam a render menos automaticamente. Por isso, investidores diversificam entre pós-fixados, prefixados e atrelados à inflação, equilibrando o portfólio para diferentes cenários de juros.
100% do CDI é um bom rendimento?
Investir a 100% do CDI é considerado o piso da renda fixa. É um rendimento adequado para reserva de emergência e recursos de curto prazo (até 1 ano), mas para objetivos de longo prazo, aposentadoria, independência financeira, acumulação de patrimônio, o ideal é buscar investimentos que superem o CDI.
Na prática:
- Reserva de emergência: 100% do CDI é excelente, priorize liquidez e segurança
- Curto prazo (até 2 anos): busque CDBs de 110–120% do CDI ou LCIs/LCAs 90%+
- Longo prazo (5+ anos): diversifique para Tesouro IPCA+, ações, fundos imobiliários e ETFs, ativos com potencial de retorno acima do CDI consistentemente
O CDI e a "régua" contra a qual todo investimento é medido. Um fundo de ações que rende menos que o CDI por vários anos seguidos provavelmente não está justificando o risco adicional. É por isso que o CDI é tão importante: ele define o custo de oportunidade do seu dinheiro.
LCI a 90% do CDI rende mais que CDB a 100% do CDI?
Sim, na maioria dos prazos. Esse é um dos pontos que mais confunde investidores iniciantes. O percentual do CDI anunciado não é a história completa, é preciso considerar a tributação.
Um CDB a 100% do CDI paga Imposto de Renda de 22,5% a 15% sobre o rendimento, dependendo do prazo. Já uma LCI a 90% do CDI é isenta de IR para pessoa física. Fazendo as contas com CDI a 14,65%:
- CDB 100% CDI por 1 ano: rendimento bruto de 14,65%, IR de 17,5% = rendimento líquido de ~12,09%
- LCI 90% CDI por 1 ano: rendimento de 13,18%, sem IR = rendimento líquido de 13,18%
A LCI rende 1,09 ponto percentual a mais em termos líquidos. Em R$ 10.000, isso representa ~R$ 109 a mais no seu bolso em apenas um ano. Quanto maior o valor investido e o prazo, maior a vantagem. Por isso, entender as diferenças entre CDB, LCI e LCA é essencial antes de investir.
O que acontece com meus investimentos se o CDI cair?
Se o CDI cair, os efeitos dependem do tipo de investimento que você tem:
- Investimentos pós-fixados (CDI%): passam a render menos automaticamente. Um CDB a 100% do CDI que rendia 14,65% ao ano passará a render, por exemplo, 10% ao ano se o CDI cair para esse patamar. O rendimento futuro diminui, mas o que já foi acumulado não é afetado.
- Investimentos prefixados: mantêm a taxa contratada independentemente do que aconteça com o CDI. Se você contratou um CDB prefixado a 15% ao ano, vai receber 15% até o vencimento, mesmo que o CDI caia para 8%.
- Investimentos atrelados à inflação (IPCA+): também não são afetados diretamente pelo CDI. Rendem a inflação do período mais uma taxa fixa contratada.
Por isso, uma carteira bem diversificada entre pós-fixados, prefixados e indexados à inflação protege o investidor em diferentes cenários. Quando o CDI cai, os prefixados e IPCA+ contratados antes da queda se valorizam. Quando o CDI sobe, os pós-fixados passam a render mais. Saiba como equilibrar esses investimentos em nosso guia sobre como montar uma carteira de investimentos.
Como acompanhar o CDI atualizado?
Acompanhar o CDI é simples. A taxa é publicada diariamente e pode ser consultada gratuitamente em diversas fontes:
- B3 (b3.com.br): fonte oficial. Pública a taxa DI diária e o acumulado mensal/anual
- Banco Central (bcb.gov.br): disponibiliza séries históricas completas do CDI e da Selic no SGS (Sistema Gerenciador de Séries Temporais)
- Investidor10 (investidor10.com.br): exibe o CDI acumulado no mês e no ano, com gráficos históricos
- Brasil Indicadores (brasilindicadores.com.br): mostra o CDI mensal e anual de forma visual e intuitiva
- Calculadoras de corretoras: plataformas como XP, Rico, BTG e NuInvest oferecem calculadoras que simulam rendimentos com base no CDI atualizado
Para quem investe regularmente, vale acompanhar as decisões do COPOM (a cada 45 dias), pois elas sinalizam a direção futura do CDI. Se o COPOM sobe a Selic, o CDI vai subir. Se corta, o CDI vai cair.
Conclusão: o CDI e a régua da renda fixa brasileira
O CDI e o indicador mais importante para quem investe em renda fixa no Brasil. Ele determina quanto rendem CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI, debêntures e contas remuneradas, ou seja, a grande maioria dos investimentos de renda fixa disponíveis no mercado. Entendê-lo não é opcional: é fundamental.
Para colocar em prática o que você aprendeu:
- Para sua reserva de emergência: busque um CDB com liquidez diária a 100% do CDI ou uma conta remunerada que pague 100% do CDI
- Para médio prazo: compare LCIs e LCAs a 90%+ do CDI (isentas de IR) com CDBs a 110%+ do CDI, faça a conta líquida
- Para crescer patrimônio no longo prazo: diversifique para além do CDI, considere Tesouro IPCA+, ações e fundos imobiliários como parte de uma carteira bem montada
Agora que você domina o CDI, aprofunde seu conhecimento nos investimentos que usam essa taxa como referência:
- CDB, LCI e LCA: o que são é como funcionam
- Tesouro Direto: Selic, IPCA+ e Prefixado
- Como montar uma carteira de investimentos
- Quanto rende mil reais por mês em diferentes investimentos
Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.
Referências
- B3, Metodologia de apuração da Taxa DI (b3.com.br)
- Investidor10, CDI acumulado histórico (investidor10.com.br)
- Brasil Indicadores, CDI mensal (brasilindicadores.com.br)
- Banco Central do Brasil, Taxa Selic e séries temporais (bcb.gov.br)